Direitos do Paciente

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Conhecer os próprios direitos é uma parte importante da relação entre paciente e serviço de saúde. Eles envolvem, entre outros aspectos, o acesso a informações sobre o atendimento, o respeito à privacidade, a participação nas decisões relacionadas ao cuidado e o acesso aos próprios dados e documentos de saúde.

A Carta dos Direitos e Deveres da Pessoa Usuária da Saúde estabelece diretrizes relacionadas ao acesso à saúde, ao tratamento adequado, ao atendimento humanizado, à informação e ao respeito aos direitos da pessoa usuária.

Esses direitos também se relacionam com outras normas, incluindo regras de proteção da privacidade e dos dados pessoais e disposições específicas aplicáveis à relação entre pacientes e profissionais de saúde.

Direito à informação

O paciente tem direito a receber informações sobre seu estado de saúde e sobre o atendimento realizado de maneira objetiva, respeitosa e compreensível.

A Carta dos Direitos e Deveres da Pessoa Usuária da Saúde contempla informações sobre possíveis diagnósticos, diagnósticos confirmados, resultados de exames, exames solicitados, procedimentos, riscos, benefícios e alternativas terapêuticas, conforme as circunstâncias do atendimento.

A informação adequada permite que o paciente compreenda melhor o que está acontecendo e participe das decisões relacionadas ao próprio cuidado.

Direito de compreender o atendimento

Receber uma informação não significa apenas ter acesso a termos técnicos ou documentos.

As informações relacionadas ao atendimento devem ser apresentadas de maneira compatível com a compreensão do paciente, permitindo que ele esclareça dúvidas sobre seu estado de saúde, exames, tratamentos e procedimentos.

A própria Carta prevê o direito de receber informações de forma objetiva, respeitosa, compreensível e adequada às necessidades da pessoa usuária.

Por isso, diante de uma informação que não tenha sido compreendida, é legítimo solicitar esclarecimentos ao profissional ou ao serviço de saúde.

Direito de participar das decisões sobre o tratamento

O paciente deve ser informado sobre as possibilidades relacionadas ao seu cuidado e, nas situações aplicáveis, participar das decisões sobre procedimentos diagnósticos ou terapêuticos.

A Carta dos Direitos e Deveres da Pessoa Usuária da Saúde prevê o consentimento livre, voluntário e esclarecido para procedimentos diagnósticos, preventivos ou terapêuticos, ressalvadas as situações previstas nas normas aplicáveis. Também estabelece que o consentimento anteriormente dado pode ser revogado por decisão livre e esclarecida.

Isso significa que o paciente não deve ser tratado como mero espectador do próprio atendimento.

Direito à privacidade e à confidencialidade

Informações relacionadas à saúde fazem parte da esfera privada da pessoa e exigem proteção adequada.

A Constituição Federal protege a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem, enquanto a LGPD classifica os dados referentes à saúde como dados pessoais sensíveis.

Na relação com os serviços de saúde, a Carta também estabelece o direito à confidencialidade das informações pessoais.

Isso envolve cuidados com o acesso, armazenamento, utilização e compartilhamento das informações de saúde.

Direito de acesso ao prontuário

O prontuário reúne informações produzidas durante o atendimento e possui importância tanto para a continuidade do cuidado quanto para que o paciente compreenda seu próprio histórico.

O Código de Ética Médica estabelece que o prontuário deve conter os dados clínicos necessários à boa condução do caso e prevê que o paciente não deve ter seu acesso ao prontuário negado, incluindo o fornecimento de cópia quando solicitada, ressalvadas as situações previstas na própria norma.

A Carta dos Direitos e Deveres da Pessoa Usuária da Saúde também prevê o acesso ao conteúdo do prontuário e a garantia de envio e fornecimento de cópia em determinadas situações, como encaminhamento a outro serviço ou mudança de domicílio.

Por isso, quando existem dúvidas sobre um atendimento, o prontuário pode ser uma fonte importante para compreender o que foi registrado.

Direito de acesso aos próprios dados de saúde

Além das regras específicas relacionadas ao prontuário, os dados de saúde estão sujeitos à proteção estabelecida pela LGPD.

A legislação considera os dados referentes à saúde como dados pessoais sensíveis e estabelece direitos ao titular dos dados, incluindo confirmação da existência de tratamento, acesso aos dados e correção de informações incompletas, inexatas ou desatualizadas, observadas as regras e exceções previstas na própria lei.

Isso é particularmente relevante diante da crescente utilização de prontuários eletrônicos e sistemas digitais de informação em saúde.

Direito a atendimento respeitoso e sem discriminação

O atendimento em saúde deve respeitar a dignidade, os valores e os direitos da pessoa.

A Carta estabelece o direito ao atendimento humanizado, acolhedor e livre de discriminação, além do respeito aos valores, à cultura, às crenças e aos direitos da pessoa na relação com os serviços de saúde.

O respeito à pessoa também se relaciona à privacidade, à individualidade e ao bem-estar durante consultas, procedimentos e internações.

Direito à segurança e à qualidade do atendimento

O paciente também tem direito a receber assistência adequada às circunstâncias de seu atendimento.

No âmbito do SUS, a Carta estabelece o direito ao tratamento adequado e no tempo certo, além de atendimento realizado por profissionais qualificados e em condições apropriadas.

Isso não significa que todo resultado desfavorável ou complicação represente uma falha profissional.

A qualidade do atendimento deve ser analisada considerando as circunstâncias concretas, as condições clínicas do paciente, os riscos envolvidos e as condutas adotadas.

Direito a obter documentos relacionados ao atendimento

Além do prontuário, o paciente pode ter interesse em preservar outros documentos relacionados à assistência recebida.

Dependendo da situação, podem ser relevantes:

  • resultados e laudos de exames;
  • receitas e prescrições;
  • relatórios médicos;
  • documentos de internação e alta;
  • registros de procedimentos;
  • termos de consentimento;
  • registros de atendimento de emergência;
  • encaminhamentos;
  • outros documentos relacionados ao histórico do atendimento.

A documentação pode ajudar a reconstruir a sequência dos acontecimentos e compreender melhor as informações registradas.

O que muda entre SUS e atendimento privado?

Os direitos fundamentais relacionados à dignidade, privacidade, informação e proteção dos dados não deixam de existir pelo simples fato de o atendimento ocorrer fora do SUS.

A Carta dos Direitos e Deveres da Pessoa Usuária da Saúde é especialmente voltada às diretrizes aplicáveis ao sistema público de saúde, enquanto outras normas — como a Constituição, a LGPD e as regras profissionais — possuem alcance próprio.

Por isso, é importante observar qual é a natureza do serviço, quem realizou o atendimento e quais normas específicas se aplicam à situação.

Essa distinção evita tratar todos os atendimentos de saúde como se estivessem submetidos exatamente ao mesmo conjunto de regras.

E quando um direito não é respeitado?

Quando o paciente entende que determinado direito não foi respeitado, é importante primeiro identificar o que ocorreu e reunir os documentos e informações relacionados à situação.

Dependendo do contexto, podem existir canais institucionais para esclarecimentos, reclamações ou manifestações, como ouvidorias e serviços de atendimento da própria instituição.

No SUS, a Carta prevê mecanismos de manifestação dos usuários, incluindo ouvidorias e outros canais de participação e controle social.

A documentação do atendimento pode ser especialmente importante para compreender o ocorrido e apresentar as informações de maneira objetiva.

Direitos do paciente não significam presunção de erro médico

Conhecer os direitos relacionados ao atendimento médico é importante, mas a existência de uma possível violação de direito não significa automaticamente que tenha ocorrido erro médico.

Da mesma forma, um resultado desfavorável, uma complicação ou uma insatisfação com o tratamento não são suficientes, por si só, para estabelecer uma falha profissional.

Cada situação precisa ser compreendida de acordo com suas circunstâncias, documentos, informações disponíveis e normas aplicáveis.

O conhecimento dos direitos do paciente serve, antes de tudo, para permitir que a pessoa tenha maior clareza sobre sua relação com os serviços de saúde e sobre as informações e documentos aos quais pode ter acesso.

Conhecer os próprios direitos ajuda a compreender o atendimento

Informação, privacidade, participação nas decisões, acesso ao prontuário e proteção dos dados pessoais são aspectos importantes da relação entre paciente e serviço de saúde.

Conhecer esses direitos também ajuda o paciente a preservar documentos, formular perguntas, compreender melhor o atendimento recebido e identificar quais informações ainda precisam ser esclarecidas.

Quando existem dúvidas sobre uma situação específica, a análise deve considerar o conjunto das circunstâncias e dos registros disponíveis, evitando conclusões baseadas apenas em uma informação isolada.